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domingo, 11 de março de 2012

Crítica Teatral - São Paulo Surrealista

Está em cartaz no Madame, no bairro do Bela Vista, centrão de São Paulo (antigo Madame Satã) o espetáculo da Companhia Teatro do Incêndio, dirigido por Marcelo Marcus Fonseca São Paulo Surrealista. Marcando não só a história da cidade, mas sua relação com os diversos artistas, poetas que aqui viveram e retrataram a cidade nessa visão Surreal, que cada vez mais parece com a realidade em si.
O espetáculo, com duração de 60 minutos é não só uma homenagem à artistas como André Breton (Marcelo) , autor do Primeiro Manifesto Surrealista, que marca o estilo e a linguagem da peça e sua relação com Antonin Artaud (Liz Reis), autor de O Teatro e Seu Duplo, famoso por tentar provar por cartas sua lucidez e forte nome Surrealista, Mário de Andrade (João Sant'Ana) poeta paulistano do movimento modernista e a brasileira Patrícia Pagu (Isabella Dragão), jornalista famosa pelo movimento Modernista e forte nome no meio artístico Paulistano da década de 40. Usando desta linguagem que necessita mais de imagens e sensações que textos, a peça faz sua crítica a esta cidade fomentada em uma diversidade de culturas, costumes, gente, estilos e que ao mesmo tempo, tal qual a maioria de seus poetas e artistas, se destroe lenta e perigosamente e atinge a toda sua população. A São Paulo da peça é alegre, é virtuosa, é atemporal e ilimitada, e junto a isso é inconsequente, é suja, é podre por debaixo, e isto a destroe, tal qual a droga que destroe boa parte de seus usuários. Usuários do crack, do Oxi, do Anhangabaú, do parque Trianon, da Usp.
Em São Paulo Surrealista não busque o espectador compreender completamente o texto e a eloquência sequencial da obra. Não é esse nitidamente o intuito da Companhia. A peça é visual, é sensorial, é sensitiva sem ser sensível demais. É um espetáculo de formas, corpos delirantes, efusivos, um carnaval animalesco por horas e extremamente cru e pungido em outras. É ver a São Paulo que amamos, mas que é underground, que tem o glamour das putas da Augusta, o mar de "junkies" do Anhangabaú, as madames dos Jardins com os cães de raça, a variedade do Leste a Oeste do Sul ao Norte, do centro, da periferia, tão bem marcado pelas falas proferidas por Sérgio Ricardo.
A peça tem aliás seu maior ganho quando trabalha com o coro, com o grupo. São as cenas mais envolventes, mais impactantes. O grupo, bem dirigido e vivo em cena, dança, canta, encara o espectador no olho, não tem pudor ou limitações para exprimir os pecados e as características do ser paulistano. É divertido, é chocante e interage muito bem com a proposta cênica. Nas cenas individuais ficamos mais afastados e mais espectadores do texto que por vezes não compreendemos, nos poucos diálogos e mais a frente com a parte de Artaud, onde conhecemos um pouco daquele artista que surge na última parte da encenação com suas neuras, seus questionamentos, suas crises e fecha o espetáculo com o clima da dor e da ira. Ainda assim, é quando o palco se preenche de gente, de vida, que somos tomados por uma energia, por uma vivacidade e uma estética arrebatadora e eficaz, que prende nossa atenção e nos satisfaz, mesmo que a maioria daquelas imagens não faça sentido da primeira vez e valha a pena ser vista uma segunda, terceira, ser apreciada. Mas aí está o grande barato da peça, é não ser clara e evidente, é nos permitir encarar as coisas que desfilam por nós como quem visita um Masp correndo e precisa olhar para os quadros sem muito tempo para apreciar, capta um detalhe aqui, outro ali, então nos vemos de repente mais aberto a ser impactados pelo todo do que buscando detalhes do mesmos. No meio da peça, somos presenteados pelo próprio poeta surrelaista Claudio Willer, lendo um de seus poemas, num ritual de aceitação aos incompreendidos, aos diferentes, aos judeus da nova sociedade, ao que é banalizado por não ser banal. Lindo de se ver, ouvir e sentir.
A sensação da peça em suma é que estamos presos dentro de um sonho de um paulista. Um paulista que, como Pagu conviveu nesse entremeio artístico, boêmio e corrido da cidade. Claro que todo esse festival recebe um auxílio visual e sonoro competentes, com uma iluminação e sonoplastia que casam com o que vemos e nos trás arrepios e focos interessantes, além da banda ao vivo que dá ritmo e dinamismo ao espetáculo. Algumas cenas ainda não me casam na mente e parecem-me feitas mais para os próprios atores do que para nós, mas num geral a peça envolve, diverte, choca, nada em proporções guturais ou mesmo incômodas, mas de uma maneira que consegue gritar, com educação.
São Paulo Surrealista fica em cartaz previamente até Maio, com possibidade de estender-se, mas recomendo que assista quando puder para que possa retornar. E retorne atento ao que não viu da primeira vez. Como um quebra-cabeça de informações visuais e falas aleatórias que aos poucos se condensam e vão sendo compreendidas quase que debilmente por nossa mente tão acostumada ao mastigado. Um belo trabalho de grupo, de corpo e voz, de sensações e arquétipos tão conhecidos. Um grito paulistano de dor, amor e cumplicidade ao nosso berço sujo, mas ainda de ouro.

P.S. - Se eu fosse você, pesquisavas estes nomes citados na crítica antes de assistir. Conhecer um pouco desses artistas ajuda a saborear a experiência além de ser bonito ver o respeito com o qual eles trataram esses grandes nomes.

MADAME - R. Conselheiro Ramalho, 873 - Bela Vista - São Paulo - SP
Tel: (11) 2592-4474 
Em cartaz sextas às 21:30 Sábados às 21:00 

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segunda-feira, 5 de março de 2012

OSCAR 2012 - Crítica de A INVENÇÃO DE HUGO CABRET

O grande vencedor do Oscar deste ano, junto com O Artista invade todas as salas de cinema 3D do país com uma fábula que mescla a necessidade de sonhar com uma bela homenagem à base do cinema e sua origem francesa.
Scorcese reúne os melhores de sua equipe para montar um espetáculo que é um deleite aos olhos, aos ouvidos e ao coração. Hugo foi um sucesso de bilheteria em terras Norte-Americanas e promete sair-se bem mundo afora, não só pela divulgação mas agora pelo reconhecimento da crítica. O filme é tecnicamente impecável, e o próprio Scorcese que era contra o uso da tecnologia 3D para simples vendagem de um longa mostrou aos amigos como se faz uso da tecnologia como parte essencial de contar uma história. Aliás, o 3D sonoro e visual de Hugo é um caso à parte.
Vamos à sinopse? Para quem assim como eu não entendeu patavinas do trailer e não sabe o que te espera, A Invenção de Hugo Cabret tem como personagem principal, claro, Hugo (Asa Butterfield, o fofinho de O Menino do Pijama Listrado e que arrebenta em seu protagonista), rapaz orfão que vive com o tio, um bêbado que o ensina a cuida dos relógios da estação de Paris e desaparece deixando o menino sozinho e com o perigo de ser levado ao orfanato. Tendo de roubar para sobreviver, o menino ainda tem um projeto a cumprir: seu falecido pai lhe deixou um autômato, robô escritor que precisa ser consertado e que ele acredita ter uma mensagem póstuma do pai. Para tal ele rouba peças da loja de brinquedo de velho (Ben Kingsley, soberbo), onde conhece sua afilhada Isabelle (Chloe Grace Moretz, a excelente atriz de Deixe-me Entrar) que passa a ser sua comparsa numa aventura em busca da verdade por detrás deste autômato e do passado sombrio de seu avô. 
Daí se desencadeiam várias reviravoltas e uma história que é uma verdadeira homeagem ao cinema e sua origem e ao poder dos sonhos. O filme usa o 3D como personagem extra, sendo embasbacante seus efeitos durante o longa e como isso ajuda a criar a ilusão necessária. Una a isso um dos melhores trabalhos sonoros digitais de todos os tempos e temos uma fábula com todo o requinte de uma superprodução.
Hugo mexe com a história de Georges Mélies, um dos pinoeiros não só do cinema mas dos efeitos visuais. Vale pesquisar um pouco sobre o cineasta para embarcar melhor na história. A bem da verdade é que Scorcese consegue não somente criar o ambiente perfeito para esta homenagem, como tem em seu time de atores o tom perfeito de uma atuação que não só nos faz embarcar na história, mas se emocionar com cada um deles. Até mesmo Sacha Baron Cohen, o destramblehado ator de Borat e Brüno se destaca com seu papel de Vigia da estação, provando que é melhor ele parar com seus filmes de "comédia" polêmicos e seguir como ator, onde se sai bem melhor. O bacana de ter um diretor reconhecido é que grandes artistas como a excelente Emily Mortimer (Ilha do Medo), Jude Law (Closer), Ray Winstone (Beowulf), Christopher Lee (O Senhor dos Anéis) e a ótima Helen McCrory (a Narcisa Malfoy de Harry Potter) aceitam papéis secundários o que só abrilhantam mais o longa.
EM TEMPO - O trailer de Hugo foi mal montado, o que pode causar no espectador a ilusão de ser um filme infantil cheio de aventura, movimentado e cheio de ação como um Harry Potter ou Nárnia. Não é nada disso. É um drama, então algumas pessoas saem "decepcionadas" do cinema por esperaram ver um filme cheio de efeitos mirabolantes, movimentados e se deparam com uma fábula contada e baseada nos dialógos e nessa homenagem ao cinema. Portanto permita-se ir sem pré-conceitos, saiba desde já que não é um filme movimentado, mas um filme lindo e que nos faz acreditar nos sonhos outra vez. Um belo trabalho de Scorcese, uma mais que merecida homenagem à Mélies.
Nota: 9,0

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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

OSCAR 2012 - Crítica de A DAMA DE FERRO

Phyllida Lloyd, diretora de Mamma Mia teve de trabalhar com o lado jovial da veterana Meryl Streep ao fazê-la uma mãe quarentona, dançante e serelepe. O resultado foi que o filme foi indicado ao Globo de Ouro de melhor Comédia ou Musical e Meryl indicada a Melhor Atriz na mesma categoria. Portanto quando recebeu em suas mãos mais um roteiro britânico, agora biográfico e retratando uma das maiores mulheres da história política da humanidade e que ainda vive, Phyllis (preguiça de escrever o nome da mulher de novo) não hesitou e convidou sua amiguinha, aquela tal de Streep, agora para o desafio contrário. Envelhecer e ganhar o peso da idade, da cabeça em desajuste e de quem foi a Dama de Ferro da Guerra Fria, a grande, controversa porém respeitada Margareth Thatcher.
O filme então tece uma retrospectiva da carreira e da vida pessoal da Sra. Thatcher, desde sua adolescência simples até seu ingresso no congresso e sua batalha para se tornar líder do partido. Mostra como a corrida para o cargo de primeira-ministra foi quase que acidental e depois como o seu famoso pulso firme causou mudanças drásticas no cenário inglês. Tudo isso entremeado com a vida atual de Margareth, com cenas lindas de seus momentos de esclerose.
O filme corria o risco de ser político e enfadonho? Sim. Poderia se equivocar ao tentar transformar em Mártir uma figura política que nem sempre acertou? Sim. Poderia ser ofensivo ao tentar mostrar uma Margareth velha, esclerosada e digna de pena? Sim. Mas felizmente, nada disso ocorre. Parte graças ao roteiro correto, mas grande parte graças ao trabalho impecável de Meryl Streep.
Meryl consegue não somente dar vida a uma figura mundialmente conhecida a qual muitos de nós ainda se recorda dos discursos e da aparência, mas faz isso com uma humanidade, um respeito pela mulher por detrás da figura e com um talento de encher os olhos. É visível a transição de uma moça determinada a organizar a casa e a situação política de seu país, para as dificuldades de se administrar um país em guerra e ainda assim defender que ali ela não é uma mulher, é uma líder. A maneira como Meryl transita nessas inseguranças, rumo a construção de uma líder é arrepiante. Unido a isso, a quebra que faz na velhice de Thatcher (destaco aqui também um dos melhores trabalhos de maquiagem que já vi), sua fragilidade, ao mesmo tempo que temos relances desta mulher que sempre foi forte porque tinha de ser a mais forte de um país e sua luta com sua insanidade em busca de não perder quem ela realmente é. Tudo isso desfila aos nossos olhos de maneira sublime e perfeita.
Não, o filme não é perfeito. O roteiro é apressado, conta bem en passant suas dificuldades e suas batalhas políticas. É bem mais fácil se envolver quando se vivenciou o que ela fez, mas isso o filme não se dedica em detalhar nem em explicar, fica simples, rápido. Para mim, rápido demais. Deixa um gostinho de quero mais que sabemos não acontecer, não é um filme de sequências. Dá vontade de acompanhar aquela mulher por pelo menos mais meia-hora. Talvez o medo de ficar documental tornou o roteiro sucinto demais.
Ainda assim ,em suas 01:40 horas, o filme pe um deleite para vermos a grande Meryl Streep fazer o que faz melhor e dar uma aula de estudo da personagem e criação de um papel. Meryl se torna um our concour quando o assunto é trabalho memorável. Sua Thatcher agradou não só os exigentes conterrâneos da Dama de Ferro, mas surpreendeu o mundo.

Nota: 8,0.

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domingo, 12 de fevereiro de 2012

OSCAR 2012 - Crítica de OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES

Quando David Fincher, diretor que começou sua carreira com videoclipes da Madonna, depois encontrou Hollywood com os ótimos Alien 3, Sete, Clube da Luta, O Quarto do Pânico e abrilhantou os olhos do pessoal do Oscar com Benjamin Button e A Rede Social, decidiu refilmar o primeiro livro da saga Millenium que havia sido feito em seu país de origem mal fazia um ano eu pensei - Ok, pode dar certo, embora o original já tenha ficado muito bom. E deu certo. Em alguns aspectos ainda melhor.
Eu sou um grande fã do cinema Europeu, mas apesar de gostar muito dos filmes Suecos, Suiços, todos eles tem um item que me incomodam um pouco - o ritmo. Histórias ótimas, sempre atores e atrizes concentradíssimos, uma fotografia e direção linda, mas o ritmo sempre cai no meio do longa. Eu achava isso deste original e com a versão de Fincher isso se perde, parte graças a uma inteligente edição, parte graças ao trabalho dos atores e da narrativa mais Hollywoodiana, sem perder a essência da trama.
No longa temos a história de um jornalista processado por difamação (Daniel Craig) que graças a perda do processo pode levar sua revista a falência. Paralelamente temos a história da orfã Lisbeth (a excelente Rooney Mara) e sua batalha para continuar recebendo pensão do seu tutor doente e mantar sua fonte de renda alternativa - rackeamento de computadores. O jornalista é chamado por um velho sueco rico que quer, antes de morrer, uma biografia de sua família, mas usar isso para descobrir o fim que deu sua sobrinha, desaparecida a anos. Ele dá como pagamento para o jornalista, além de dinheiro, informações que podem inverter o processo que o está difamando.
Não vou contar mais que isso (que é só os primeiros 10 minutos de 2 horas e meia de reviravoltas) para não estragar o barato de um filme investigativo. O bacana de Os Homens... é que é um filme baseado num livro bem escrito, bem amarrado. As informações não são cuspidas na tela, elas vão surgindo aos poucos, taciturnas, sombrias, sem sabermos a importância de cada uma delas até termos o primeiro desfecho, lá pelas 2 horas de projeção (sim, temos mais de um desfecho no filme). Claro que tudo isso é abrilhantado por uma inteligente direção, uma ambientação e fotografia que fazem TODA a diferença, deixando o clima certo de suspense e um grupo de atores inspirados, destacando-se a indica ao Oscar Mara, pela construção perfeita de uma Lisbeth complexa e carismática em sua esquisitisse.
Para os fãs de suspenses, é um prato cheio. Para os admiradores de bom cinema, um exemplo de que um filme pode ser popular e bonito ao mesmo tempo, além de inteligente. Vale a visita ao cinemas e depois vale ver o original.

Nota: 9,0

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sábado, 11 de fevereiro de 2012

OSCAR 2012 - Crítica de O ARTISTA

Qual a importância da fala? Comunicação? Expressão? Algumas teorias apoiam a idéia de que é a capacidade da fala que nos define como seres racionais. A fala também é dissipadora de raças, é o que nos impede de sermos um mundo unificado, separando-nos por idiomas que tornam um cidadão de um país ininteligível para o outro, provocando até guerras, como na teoria da Torre de Babel. o fato é que a fala se tornou algo tão comum a nossas vidas que só percebemos o quanto ela importa quando a perdemos, quando ficamos roucos, por exemplo.
Mas quando perdemos a voz também percebemos o quanto somos desbocados, falamos sem medir e coisas tão desnecessárias. Filtramos nosso vocabulário para o essencial e valorizamos outros tipos de comunicação. A própria arte é, em si, classificada por várias maneiras de expressão: cantada, falada, desenhada, pintada, dançada. Mas todas elas comunicam algo. O cinema, desde seus primórdios, há mais de cem anos, até o final da década de 20 se comunicava sem falas, com atores cheios de expressões, mímicas, trejeitos e, quando necessário, uma ou outra fala ela posta em cartazes durante o longa, como conhecemos pelos famosos filmes de Chaplin. Porém tal ferramenta de comunicação, com o advento da tecnologia, aprendeu a inserir som ambiente na película, passando a ser falado, depois cantado e assim extinguindo esse estilo cinematográfico que fez surgir tantos artistas com a mesma intensidade que nos esquecemos deles quando foram substituídos por outros jovens de voz mais agradável.
O tema já havia sido discutido em filmes como Cantando na Chuva, musical baseado na história de um ator de filmes mudos que tem de se adaptar ao novo cinema e se apaixona por uma jovem dubladora de outra famosa atriz de cinema mudo, mas que precisa ser dublada pois é fanha. Os franceses aproveitaram de uma premissa igual, mas agora pondo como protagonista o ator que cresceu demais no cinema mudo e não acredita no cinema falado e seu romance com uma jovem atriz que entra no mercado falante.
O Artista já assume essa áurea desde seu visual, nostálgico, preto e branco, uma bela fotografia, instaurados figurinos, cenários e esse ambiente da Hollywood pré-queda da bolsa de valores, onde tudo corria conforme o previsto. Dentro desse ambiente já somos apresentados ao protagonista, interpretado brilhantemente e belamente pelo francês Jean Dujardin e sua fama calorosa. Depois conhecemos seu par amoroso, a típica mocinha sapeca que quer ser atriz e tem tino pra coisa. Daí pra frente seguimos os dois caminhos opostamente: o crescimento da carreira de Peppy, a novata no cinema falado e a queda de Valentin no cinema mudo e seu fracasso na vida pessoal e profissional.
O Artista segue de sua abertura até o lindo final um ritmo gostoso, combinado com uma trilha fantástica e um clima adequado para um drama com comédia e romance na medida certa. O filme é doce, é simples, romântico, nostálgico e contagiante do início ao fim. Até mesmo o cachorro do filme rouba a cena com seus truques e adestramento impecáveis, nos causando mesmo emoção nas cenas de solidão.
Mas o que faz de O Artista um marco no novo cinema não é seu enredo nem seu estilo, mas sua coragem e audácia ao provar que o cinema mudo ainda funciona. A tese de seu enredo, do fracasso de um cinema antiquado e monótono comparado a tecnologia é posto em cheque com um filme que, em pleno séxulo XXI, onde produções como Avatar enchem a tela da necessidade gráfica dos computadores e sons digitais, a essência do filme ainda está nesses dois elementos: os atores e o enredo. E isso é maestrado magnificamente por Michel Hazanavicius e seu grupo de competentes artistas, técnicos e interpretativos, neste que será um filme para ver e rever e um dos mais inesquecíveis dos últimos tempos. Um belo acerto, uma bela homenagem, um exemplo de respeito pela arte do cinema.

Nota:10

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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

OSCAR 2012 - Crítica de HISTÓRIAS CRUZADAS

Hollywood gosta de nos fazer chorar de vez em quando. Seja com romances forçados na luta pelo amor perfeito e o universo conspirando contra, seja com pessoas heróicas que só querem fazer o bem e acabam sendo torturados pela dura realidade chamada vida, ou mesmo usando do plano espiritual na promessa de um amor além da vida, sempre somos pegos na necessidade de levar um lenço para a sala de cinema e sair de lá precisando de soro.
Portanto muito me agrada quando um filme te emociona sem precisar empurrar o sofrimento alheio goela abaixo ou mesmo ficar com closes profundos e canções mela-cueca para que você de fato se arrepie e verta lágrimas. Filmes como Flores de Aço, A Cor Púrpura, O Filho da Noiva e agora esse Histórias Cruzadas são assim. São lindos pela beleza de sua história em si, sem precisar serem melo-dramáticos.
Por sinal em muito este filme me lembra Flores de Aço. Seja pelo fato de ser comandado por mulheres (no longa se temos 5 atores é muito, perto de mais de 20 mulheres), seja pelo fato impecável de usar do humor para quebrar o drama e ser muito competente em tal. Assim como em Flores de Aço, é a vida dessas mulheres que vai nos envolvendo sem pressa, sem a necessidade de compaixão, mas com uma clareza de narração, uma vivacidade oferecida pelo grupo de atrizes (que ganhou merecidamente o SAG Awards de melhor elenco) e uma qualidade cinematográfica de encher os olhos.
A história do filme gira em torno de, basicamente, duas mulheres: Skeeter (a nova queridinha da América e ótima Emma Stone) - moça que está ficando pra titia e quer ser jornalista em plenos anos 60; e Aibileen (a fantástica Viola Davis, fez Dúvida) - empregada doméstica solitária que decide ajudar a moça em sua incursão jornalística. Skeeter precisa escrever dicas domésticas em seu primeiro emprego no jornal e, por não cohecer nada do assunto, pede a amiga que empreste sua empregada para auxilia-la, uma vez que sua empregada foi embora. Porém observando o tratamento que as demais empregadas domésticas recebem de suas afetadas e fúteis patroas, Skeeter decide escrever um livro contando a vida do ponto de vista das empregadas. Para tal, ela precisará que Aibileen ponha os medos de lado e junto com as outras empregadas, dêem seus depoimentos.
Dentro dessa premissa, muitas outras histórias se desenvolvem, talvez daí a escolha do título brasileiro equivocado, uma vez que o título original THE HELP, é o termo que utilizam para designar as auxiliares, ou as domésticas. Apesar da troca do título, o filme é de fato um cruzamento das histórias dessas empregadas e de suas patroas, enquanto acompanhamos a luta de Skeeter por ser ela mesma e a luta dessas mulheres sofridas em manterem seus empregos e sua dignidade em meio ao tempo da segregação.
O filme é belamente feito do início ao fim. Seja com a trilha sonora eficiente e bem pontuada, seja com a fotografia alegre e sulista, com o competente trabalho de ambientação, figurinos e maquiagem, é tudo de um primor maravilhoso. Além disso, o roteiro foi adaptado de maneira a preencher as quase duas horas e meia de projeção parecendo meia-hora, tamanho é o envolvimento com a trama e as personagens, essas sim a força-motriz do longa. Histórias Cruzadas tinha muita coisa que poderia torná-lo piegas e fraquinho. Uma mão errada na direção, um roteirista melodramático e atrizes exageradas poderiam ter posto tudo a perder. Mas ainda bem não temos nada disso aqui. Temos uma direção competentíssima, um roteiro equilibrado e atrizes empenhadas, talentosas e sábias em suas interpretações. Dentro das quais destacam-se, além das aqui já citadas, a excelente Octavia Spencer (da série Ugly Betty e filmes como Sete Vidas e Arrasta-me Para o Inferno) e sua enfezada Minnie, a praticamente novata Jessica Chastain (do também indicado ao Oscar A Árvore da Vida) que me surpreendeu pelo timing cômico perfeito, a outra surpreendente Bryce Dallas Howard (de A Dama da Água, Homem-Aranha 3 e Além da Vida) sustentando super bem a maléfica Hilly, Allison Janney (de Juno e Hairspray) como a mãe de Skeeter e a bonitinha da Sissy Spacek (a eterna Carrie) como a mãe esclerosada de Hilly. Isso é que elenco, hein?
Portanto reserve um dia em sua agenda e prestigie este que é sem dúvida um filme que agradará a todos. Diferente de alguns outros indicados os Oscar que são mais feitos para crítica que para público, Histórias Cruzadas é feito para todos aqueles que sabem a importância do respeito e o quanto a ignorância agride nossa sociedade. Um deleite, uma experiência que te fará sorrir, mesmo com lágrimas nos olhos.
Nota: 10

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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Crítica - CAPITÃO AMÉRICA



Eu gosto muito de ir ao cinema sem expectativas. Acontece que quando estamos contando com a estréia de um filme, começamos quase que por osmose a acompanhar tudo o qualquer notícia/ trailer/ spoiler sobre o longa e todo esse conglomerado de informações vai nos fazendo criar uma sombra maior que a projetada, então quando assistimos de fato a obra ficamos á mercê de presenciar algo menor do que esperávamos pois tivemos tempo e material suficientes para filmarmos nossa própria versão.
Confesso ao leitor não ser fã de quadrinhos, devo ter lido umas 4 revistas da Marvel minha vida toda e não tenho frisson pelo cinema heróico, nem sou fã de ação. Assisti sim, todos os filmes de super-heróis por ser, sobretudo, fã de cinema e as indústrias vem, nos últimos 12 anos, investido bonito na área. Mas ainda assim, sempre assisto a um filme do gênero com toda a ignorância da qual me orgulho.

Portanto foi como um papel em branco que fui ver a estréia do mais antigos dos heróis nas telas. Capitão América é talvez o mais popular dentre os defensores por se tratar de um verdadeiro símbolo da bravura norte-americana no período patriótico da Guerra Mundial. Talvez por isso nós, cidadãos de países não tão patriotas, ficamos meio que inertes ao efeito atrativo de tais personagens. Confesso que esperava um filme bobo, mesmo infantil que a todo momento se balançasse a flâmula do país e se exaltasse o heroísmo de seus soldados. Sim, Capitão América é patriota, sim, dá um incentivo a lutar pelo país, mas o filme conseguiu balançar bem tais fatores com um roteiro ágil e que entretem, atuações competentes e efeitos impressionantes para agradar a todos.
Vamos começar falando de Cris Evans. O ator é, ao que me lembre, a pessoa que mais interpretou heróis no cinema. Agora loiro e no começo do longa magérrimo (efeitos incríveis, ao estilo Benjamin Button), Evans cria um herói simples, sem seus usuais maniqueísmos e gags que marcavam seus trabalhos até então. Evans está limpo, discreto, humilde e é isso que cria a empatia com a personagem. Outro destaque do longa vai para o sempre competente Hugo Weaving (o Agente Smith de Matrix, o V de V de Vingança) que sustenta um nazista que carrega dentro de si um alter-ego que faria Hitler se sentir humilde, e o faz com uma leveza e uma fidelidade ao papel que transforma sua insanidade em algo plausível. Protagonista e Antagonista do longa, ambos atores conseguem manter o ritmo e a qualidade até o final.
O roteiro é simples, facilmente compreendido e talvez aí esteja a falha do longa, o filme se torna previsível e não se aprofunda tanto em questões que permitem ir mais longe, como o fato de se passar durante a 2ª Guerra Mundial, e cria-se dentro disso uma divisão chamada Hydra que sustenta-se como única inimiga forte do momento, temos uma transição rápida de "garoto-propaganda" para "capitão" América de um jeito que parece ser simples pegar um vilão tão forte. E essa força do antagonista é perdida, temos em nossa frente uma grande personagem que não é tão bem explorado como o Coringa de Batman, por exemplo, sendo facilmente solucionado e nos dando aquela sensação "podia ser melhor, podia ser bem maior".
Um dos itens que mais se destacam no longa é o visual. Dos cenários à fotografia, a ambientação de época, a luz, nada disso se perdeu com o 3D e souberam como intensificá-lo. As cores da bandeira são usadas estrategicamente e a movimentação das câmeras é precisa, firme e segue o ritmo do longa.
Mas ainda assim, o filme é ação contínua, muito bem feito, o 3D funciona, o ritmo contagia e passa num piscar de olhos. A ambientação, figurinos estão muito bons e os efeitos sonoros incríveis. O filme faz uma boa ligação com o futuro The Avengers e apesar do patriotismo, perde menos tempo com lições de moral (oi Homem-Aranha) e mais com soluções eficazes, o que não desagradará o público.
Ah sim, o final não é bem final, mas que o leitor fique ciente que é para dar a agulhada nessa sequência que unirá vários dos heróis e quem tiver paciência de esperar depois do letreiro, verá o porque.
Enfim, Capitão América não é o melhor filme de herói dos últimos anos, mas é um dos mais bem filmados, fotografia, efeitos, sons, todos esses elementos em perfeita harmonia para agradar, especialmente na tela grande.

Nota: 7,5

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quinta-feira, 14 de julho de 2011

CRÍTICA - Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2



Caro leitor, reconheço que talvez não seja a pessoa mais recomendada para lhe falar sobre este filme, com estréia nacional nesta sexta-feira, 15 de julho. Mas também uso de minha sinceridade para dizer que, apesar de muito fã da série de best-sellers de J.K. Rowling, eu sempre separei sua obra literária das adaptações cinematográficas. Como grande cinéfilo, sei que a linguagem cinematográfica exige cortes e adaptações que levaram alguns fãs a loucura ao longo da saga do bruxo mais famoso do mundo, enquanto eu defendia as películas. E é com esse espírito cinéfilo e apto a receber algo novo e sem ficar querendo comparar página-a-página do livro com o filme que fui nesta quinta-feira à pré-estréia do longa.
A primeira parte da adaptação do último livro já havia recebido um 9 meu. Gostei do ritmo, das atuações, do tempo dado para contar a história, muitas vezes acelerada em outros longas e foi dado aos devidos fatores a devida importância. A qualidade técnica e textual do primeiro me deixou motivado a acreditar que a segunda parte seria tão bom quanto. Mas não foi tão bom quanto, foi um dos melhores filmes de aventura que já vi em toda minha vida.
Sei que pode parecer palavras de fã, mas questiono a sanidade mental de 1 pessoa sequer que vá assistir Relíquias da Morte Parte 2 e não fique boquiaberto com o espetáculo que terá visto. O filme tem início exatamente na cena em que se encerrou seu prólogo, com Voldemort roubando a Varinha das Varinhas. Mas daí por diante, o ritmo "road-trip" e investigativo do primeiro dá espaço a uma das melhores e mais bem feitas batalhas do cinema. Sim, assisti Senhor dos Anéis, Rei Arthur, todos os épicos, e garanto que a batalha em Hogwarts só perde a sanguinolência (e nem tanto) e as armas comuns para varinhas. Mas é num ritmo de esgrima intenso e efeitos especiais que não permitem a perda do visual e do entendimento cênico que a grande batalha se dá. Entremeado a isso, frases impactantes de vários personagens e o respeito a estes que participaram da história de Potter, desde o primeiro ao final da saga. Aliás, este clima de "tudo culminou até aqui" é sustentado magistralmente pelo filme. Detalhes como o mesmo cenário de Câmara Secreta, a união prática dos dois tipos de penseira vistos em Cálice de Fogo e Enigma do Príncipe, comentários que enfatizavam cenas que vimos ao longo destes anos, cada um surge aos poucos e vai costurando uma história que ficou brilhantemente resolvida por um roteiro inteligente e ágil. Kloves teve a seu lado o fator de adaptar todos os longas, o que dá ao roteirista uma lógica de raciocínio ímpar. Todos os detalhes por ele alterados de acordo com o livro, e que levaram alguns fãs à rebeldia se resolvem simples e de maneira eficaz. E ouso dizer que cenas longas e sem tanta emoção no livro final ganharam um tempero especial com alguns "algo a mais" que não ousarei dedurar aqui, mas que valeram a pena. Cada cena inéditá é deliciosa.
Destaco aqui também a atuação segura do trio, Daniel está muito bem e Alan Rickman dá um show com o desfecho magnífico de Severo Snape. Maggie Smith consegue comover em poucas cenas e são em simples trocas de olhares entre os atores que seguramos a respiração e tentamos (eu em vão) conter o choro. Fiennes também conseguiu fragilizar seu Voldemort de maneira inteligente, sem parecer piegas, ao contrário, causou até estranheza de tão crível.
O som e os efeitos estão sublimes, as cenas tem uma fotografia belíssima, sempre um forte da série, o roteiro está bem emendado e muito bem resolvido para o público não-leitor da série entender a trama. E o final não poderia ter ficado mais completo. Durante a projeção, entre aplausos ouvia-se choros, de uma despedida daquele que foi uma marco na literatura infantil e no cinema mundial.
Da cena da invasão ao banco Gringotes, a visita a Hogsmeade, o retorno à Hogwarts e a batalha magnânima travada daí por diante, Relíquias não perde o ritmo nem o peso. É intenso, divertido, forte, empolgante, emocionante.
Enfim, Relíquias da Morte merece ser visto mais de 1 vez, mesmo por você que nunca deu uma chance a série do bruxinho, mas que gosta de um filme magnífico. E como ouvi por várias pessoas na saída do cinema, talvez 1 só frase resuma o que foi acompanhar essa saga: Valeu a pena.

Nota - 10

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domingo, 19 de junho de 2011

Especial - Pra alugar ou Zapear...

Apesar da declarada ecleticidade que a maioria de nós tem quando nos pronunciamos ao nosso gosto cinematográfico, o fato é que sempre nos identificamos mais com um gênero ou outro. Fãs de ação nem sempre apreciam os dramas assim como os românticos podem se incomodar com o terror. Visando o gosto de cada um e o fato de que friozinho é bom pra ficar em casa, o blog separou 1 dica de estréia nas locadoras e 1 na TV por assinatura dentro de 3 gêneros: Suspense, Romance e Comédia. Vamos lá?

SUSPENSE

LOCAÇÃO - BRAVURA INDÔMITA

O suspense Western dos irmãos Cohen finalmente chega as locadoras, outro grande indicado ao Oscar deste ano e com qualidade e entretenimento garantidos. Após a morte do pai, a jovem Mattie Ross (Hailee Steinfeld) contrata, por cem dólares, o xerife "Rooster" Cogburn (Jeff Bridges) para caçar e capturar o assassino. Ela exige fazer parte desta jornada para ter certeza que seu objetivo será alcançado.Fotografia, ambientação e atuações fantásticas.

NA TV - REPO MEN - O RESGATE DE ÓRGÃOS

Suspense de ficção com Jude Law, Forest Withaker e Alice Braga, tem trama bem amarrada e atuações seguras. No filme, Em um futuro próximo a sociedade utiliza com frequência os serviços da empresa The Union, que fornece sofisticados e caros órgãos mecânicos para seres humanos. Caso o comprador não honre a dívida, a empresa envia em seu encalço os coletores, que têm por função recolher o órgão vendido, seja ele qual for. Remy (Jude Law) é um dos melhores coletores na ativa, até sofrer um ataque cardíaco ao realizar um serviço. Ele é submetido a uma cirurgia, onde lhe é transplantado um dos corações fabricados pela The Union. Só que, em consequência do ocorrido, Remy não pode mais continuar exercendo seu trabalho. Sem ter como pagar a dívida, ele se une ao colega Jake (Forest Whitaker) para escapar da perseguição da empresa onde trabalhou.
Passará no TeleCine Pipoca, Dia 23/06 as 22 horas e dia 25 às 13 horas.

ROMANCE

LOCAÇÃO - JUNTOS PELO ACASO

A comédia romântica com Josh Duhamel e Katherine Heigl não somente tem cenas divertidíssimas como uma ótima visão de como uma criança pode mudar nossas vidas. Holly Berenson (Katherine Heigl) e Eric Messer (Josh Duhamel) se conhecem, mas o primeiro encontro deles é um verdadeiro desastre. A única coisa que eles têm em comum é a paixão pela afilhada Sophie (Alexis Clagett/Brynn Clagett). Só que um acidente fatal deixou a menina órfã dos pais e a dupla foi designada para cuidar da pequenina. Obrigados a permanecerem juntos para cuidar dela, eles enfrentam as dificuldades típicas de quem passa a ser pai e mãe de uma hora para outra e começam a se entender melhor.

NA TV - O AMOR ACONTECE

Jennifer Aniston e Aaron Ekhart brilham nesse filme adulto, sinceo e gostoso que nos faz ver como o amor nos reergue perante as dificuldades da vida. Burke Ryan escreveu um livro de autoajuda que faz grande sucesso. Diferente do que escreve, ele ainda não conseguiu aceitar a morte da esposa. Durante uma de suas viagens de divulgação da sua obra, Burke conhece Eloise Chandler, a mulher certa que o ajudará a esquecer as perdas do passado. 
Passará no Telecine Premium hoje, 19/06 às 22 horas e dia 07/07 no mesmo horário.

COMÉDIA

LOCAÇÃO - O BESOURO VERDE

O azarão da última temporada norte-americana surpreendeu pela qualidade e pela comédia, também com o elenco de timing afiado e a ótima direção de Michel Gondry não poderia ser diferente. Britt Reid (Seth Rogen) é o filho do magnata da mídia mais importante e respeitado de Los Angeles, vivendo uma vida perfeitamente feliz e irresponsável de farras. O panorama muda quando seu pai (Tom Wilkinson) morre misteriosamente, deixando seu vasto império para Britt. Estabelecendo uma improvável amizade com um dos funcionários mais dedicados e geniais de seu pai, Kato (Jay Chou), eles veem a chance de fazer algo significativo pela primeira vez em suas vidas: combater o crime. Mas para fazer isso, decidem se tornar foras da lei – eles zelam pela lei infringindo-a, e Britt se transforma no vigilante Besouro Verde, patrulheiro das ruas, ao lado de Kato. 

NA TV - OBRIGADO POR FUMAR

Essa inteligente e ousada sátira sobre a indústria do tabaco se saiu melhor nas bilheterias internacionais do que no Brasil, erroneamente, pois merece nossa atenção, o roteiro é fantástico e Aaron Eckhart está muito bom. A vida do lobista Nick Naylor não poderia ser mais contraditória. Embora saiba dos males que o cigarro traz à saúde, Nick defende fortemente seu consumo e está disposto a fazer o que for para tal efeito. Mas, ao mesmo tempo, tenta ser um modelo para o filho e usa o questionamento como grande aliado.
Passará no MEGAPIX, dia 26/06 às 22 horas e dia 28 às 11:25.


Espero que tenha auxiliado em sua diversão para os próximos dias, com ou sem grana, o importante e ter um bom entretenimento!

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domingo, 13 de março de 2011

Especial - O que assistir até Março acabar?

Tem coisa pior do que pensar em pegar aquele cineminha na folga ou no final de semana e se ver meio sem opção, ou quando chega na frente do cinema ver que tem um monte de filmes, mas você não conhece nenhum? Então separa seu caderninho que vamos visitar as próximas estréias e saber quais combinam com o nosso gosto!

18-03

Não Me Abandone Jamais

O drama britânico traz três grandes astros jovens do país, Carey Mulligan (do ótimo Educação), Andrew Garfield (de Rede Social e o novo Homem-Aranha) e Keira Knightley (a Elisabeth de Piratas do Caribe), todos muito competentes e intensos em seus papéis. Na história, Ruth (Carey Mullingan), Kathy  (Keira Knightley) e Tommy (Andrew Garfield) são amigos desde a infância e cresceram num ambiente que consideravam idílico. Quando entram na idade adulta, têm de lidar com o amor que os envolve, os desafios do futuro e o que há de obscuro em seu passado. O típico filme britânico que as relações humanas são infinitamente maiores que a base do roteiro. Para quem gosta da profundeza humana, o cinema britânico é sempre uma boa opção.

Invasão do Mundo - Batalha de Los Angeles


O elenco traz nomes como Aaron Eckhart (O Harvey Dent de Cavaleiro das Trevas) e Michelle Rodriguez, a briguenta Maria Luzia de Lost. A história aparentemente é básica: ataque alienígena em Los Angeles. Claro que ninguém procura um roteiro gigantesco, complexo, quem vai ao cinema ver estes filmes quer efeitos de cair o queixo e ação contínua, e os bons trailers e cartazes indicam que isso tem de sobra. O filme tem ido bem nas bilheterias americanas, o que sugere bom divertimento!


Jogo de Poder


Naomi Watts (O Chamado) e Sean Penn (Milk) juntos. Numa trama dirigida pelo mesmo de Identidade Bourne Doug Liman que envolve espionagem. Tem como não dar certo? Na trama, a identidade secreta da agente da CIA Valerie Plame (Naomi Watts) é revelada por oficiais da Casa Branca após seu marido, Joseph Wilson (Sean Penn), ter escrito no The New York Times, em 2003, sobre a acusação do governo Bush de que o Iraque possuía armas de destruição em massa era uma mera desculpa... O típico thriller onde críticas ao governo americano mesclam-se com personagens fictícios e que tem dado certo, como Zona Verde. O filme foi indicado a Palma de Ouro em Cannes, algo inusitado ao que aparentemente é uma simples trama de espionagem, e parece ter muito mais.


Sexo sem Compromisso


Natalie Portman acaba de embasbacar o mundo com seu Cisne Negro. Ashton Kutcher... não. Os dois se unem nessa comédia romântica do competente Ivan Reitman, diretor especializado em comédias românticas, num roteiro que tem base parecida com O Amor e Outras Drogas. No longa, os amigos de longa data Emma (Natalie Portman) e Adam (Ashton Kutcher) quase estragam a amizade quando transam em um manhã. Para protegerem a relação, eles fazem um pacto para manter seu relacionamento estritamente "sem qualquer compromisso", ou seja, sem ciúmes, esperanças, brigas, flores e apelidos fofinhos. Mas eles se questionam: será possível transar sem que o amor atrapalhe? A amizade deles irá sobreviver? Pra mim, Portman sempre é uma boa opção.

O Retrato de Dorian Gray


Finalmente nos cinemas, acredito que grande parte da culpa pela premiação de Colin Firth (o filme estava previsto para ir direto as locadoras, não por ser ruim, mas por apostar que o público brasileiro não conheça a obra de Oscar Wilde), o filme com base no clássico da literatura britânica chega nessa nova roupagem, que já assisti, postei crítica aqui e recomendo, uma boa adaptação com boas interpretações e visual belíssimo. No filme, Dorian (Ben Barnes) é um belo jovem privilegiado que deseja que sua imagem em uma pintura envelheça em seu lugar. O que ele considerava uma vantagem, se torna uma maldição, e quanto mais velho e corrupto Dorian fica, o retrato guardado no porão se torna um monstro.

25-03
Sucker Punck - Mundo Surreal


E olha o Brasil caprichando nas traduções todas. O novo filme do inusitado diretor de adaptações Zack Snyder (300, Watchmen) chama a atenção desde seus posteres, trailers cheio de movimento e estilo, a mistura dos clássicos anos 50 com a tecnologia e várias ninfetas para os marmanjos de plantão. No filme  Baby Doll (Emily Browning, a Violet de Desventuras em Séries)  é internada em uma instituição mental por seu perverso padrasto, e passará por uma lobotomia em cinco dias. Enquanto o dia não chega, a garota cria um mundo alternativo, onde precisa roubar cinco objetos para fugir de um homem que pretende estuprá-la.

VIPs

Wagner Moura é sempre uma boa pedida. Ator que consegue fazer milagre com seus personagens, nem sempre em filmes tão grande quanto eles. Talvez este seja mais um exemplo, outro baseado em livro com aventuras de um brasileiro (como Bruna Surfistinha), no caso, o trambiqueiro que se passou por vários magnatas, incluindo um diretor da companhia aerea Gol. Sim, eu também me lembro de Prenda-me se for Capaz, e o trailer faz a ligação com este filme, mesclado com a malandragem do brasileiro. No longa
Marcelo (Wagner Moura) não consegue conviver com sua própria identidade, o que faz com que assuma a dos outros. Isto faz com que passe a ter diversos nomes, nos mais variados meios, onde aplica seguidos golpes. Um dos mais conhecidos é quando finge ser Henrique Constantino, filho do dono de uma empresa de aviação, durante um Carnaval em Recife.

Sem Limites

O astro em ascenção Bradley Cooper (Se Beber, Não Case) e o veterano Robert DeNiro estrelam essa aventura baseada em bestseller. Na trama, Carl Van Loon (Bradley Cooper) é um jovem escritor em início de carreira entra em contato com nova droga que aumenta sua capacidade cerebral de forma exponencial. Conhecida como NZT, as pílulas tecnológicas são controladas por computador para liberar substâncias no corpo na hora marcada. Com o cérebro turbinado, ele toma Wall Street de assalto e obtém rápido sucesso financeiro e social. O revés acontece quando percebe os perigosos efeitos colaterais que surgem.

Atividade Paranormal em Tóquio


Eita indústria cinematográfica, que quando um filme de terror dá certo nas bilheterias decide extrair cópias e versões até saturar. Agora o japão decidiu fazer o contrário. Acostumado a ver o cinema Yankee copiando seus filmes de terror (O Chamado, O Grito, Espelhos do Medo e tantos, tantos outros) decidiu fazer sua versão do hit americano que atraiu grande audiência em 2010. No longa, em uma visita a San Diego, EUA, para intercâmbio, um estudante encarna a presença sobrenatural e acaba levando o terror para Tóquio. Na capital japonesa, depois de um acidente de carro que abalou sua família e colocou um dos seus irmãos na cadeira de rodas, o jovem estudante é acusado de ter mudado a posição das acomodações do irmão. Ele, então, sugere a instalação de câmeras para provar sua inocência. Ao assistir ao vídeo gravado, o choque dos acontecimentos abalam a família. Parece que alguns elementos novos e a sempre divertida maneira japonesa de pregar sustos pode ser o diferencial.


Homens e Deuses


O vencedor do Grande Prêmio de Cannes em 2010 estréia trazendo o ambiente religioso com a competência do cinema francês e é estrelado por Lambert Wilson, conhecido como o francês de Matrix. Na trama, um grupo de frades franceses convivem em perfeita harmonia com a população muçulmana até esta relação ser interferida por um grupo de fundamentalistas, que massacram trabalhadores e espalham o medo. Sim, o filme aborda o conflito do muçulmano e o cristão, o que por si só é uma pedida interessante.


Sim caros leitores, tudo isso até o final do mês. Melhor separar uma graninha e madrugar no seu cinema favorito!

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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Especial - Indicados ao Oscar 2011

Hoje veremos os vencedores do Oscar 2011, mas estes célebres indicados nos remetem sempre a outros filmes do passado que seguem estilos parecidos e podem agradar seu gosto. Eles estão lá, estocadinhos no fundo das prateleiras de sua videolocadora esperando por alguém que os aprecie. Então vamos relacionar cada indicado com um filme em seu estilo, começando com os primeiros 5.

INDICADO - A REDE SOCIAL
REMETE-SE À - PIRATAS DA INFORMÁTICA


O filme de 1999 feito pra TV conta a história real de Bill Gates e Steve Jobs, parceiros na empresa Xerox que juntos criaram o que seria o Windows e depois sua briga para ter os direitos do software e a construção de dois impérios emvoltos de ameaças, brigas e chantagens. No filme, o ator Noah Wyle (de E.R.) sustenta bem a ira de Jobs perante a passada de perna de Gates.

INDICADO - O DISCURSO DO REI
REMETE-SE À - NINGUÉM É PERFEITO


No belo filme inglês um duque precisa aprender a falar sem gaguejar para assumir uma posição real, tomando aulas com excêntrico fonoaudioólogo. Nesta outra produção de 1999, Robert DeNiro é policial que sofre derrame e fica quase impossibilitado de falar. Sua reclusão em condomínio da periferia chama a atenção de uma Drag Queen que insiste que pode ajuda-lo a voltar a falar com suas aulas de canto. O filme é mais simples, com roteiro mais básico, mas os astros Robert De Niro e o impagável Phillip Seymour Hoffman seguram bem os papéis e divertem, além de emocionar na difícil relação.

INDICADO - CISNE NEGRO
REMETE-SE À - A MALVADA E ADORÁVEL JÚLIA



No indicado deste ano, bailarina experiente se desespera ao ver que pode perder o papel para novata que tem tudo o que ela não tem. Em A MALVADA, Bette Davis vive atriz de teatro famosa que acolhe uma fã como sua protegida e se vê em uma armadilha quando esta começa a almejar sua carreira. O filme é de 1950, e pode ser mais dífícil de achar, apesar de ser um filme que deve ver antes de morrer. Já em ADORÁVEL JÚLIA, a ótima Anette Benning vive uma excêntrica diva teatral que não aceita que deverá pegar papéis mais velhos e começar a ser coadjuvante de atrizes mais novas. Excelente, belamente filmado e ótimas interpretações.

INDICADO - O VENCEDOR
REMETE-SE À - MENINA DE OURO


No indicado ao prêmio do ano, temos a difícil relação entre os 2 irmãos mesclados ao treinamento de Boxe de Wahlberg e o problema de Bale com drogas. No vencedor do Oscar de Clint Wastwood, a barreira do sexo e o conflito religioso de um treinador são postos em pauta na ascenção da lutadora interpretada por Hillary Swank. Se não viu, deve ver.

INDICADO - A ORIGEM
REMETE-SE À: CIDADE DAS SOMBRAS


Foi difícil relacionar o trabalho de Christopher Nolan com algo, tendo em vista a sua originalidade. Mas a idéia da construção de mundos imaginários remete muito a ficção de 1998 onde cidade é regida por grupo que apaga memória de seus habitantes e insere neles novas vidas toda vez que está perto de amanhecer, remoldando a cidade para que se encaixe nessas novas vidas, que obedecerão ao propósito deles. O filme é complexo, mas muito bem feito, bem contado e con ritmo interessante. Boas atuações de Rufus Sewell, Kiefer Sutherland e Jennifer Connely.

Esta semana postarei referências aos outro 5 indicados, além de especiais com os vencedores do Oscar. Escolha seus favoritos e bom divertimento!!!

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Crítica teatral - Pororoca


Nosso país é repleto de fenômenos e características naturais que rondam as matas, florestas e litorais e que junto a elas trazem costumes, crenças e uma vida que se adapta à estes fatos que são inevitáveis. Da mesma maneira que uma pessoa sd extremo Sul tem casas e vestimentas adaptadas ao frio que receberão no inverno, que o paulista sempre sai com um guarda-chuva, mesmo quando está o maior sol e o nordestino litorâneo não passa mal mesmo enfrentando 40 graus de calor, alguns vilarejos ribeirinhos precisam se adaptar ao encontro das águas no Norte conhecida na linguagem tupi como Pororoca. A grande onda não muda só o fluxo das águas, muda sua intensidade, muda seu ritmo e o ritmo da vida daqueles que vivem ao seu redor. O espetáculo de Zen Salles dirigido por Sérgio Ferrara conta a história de um desses vilarejos que estão às vésperas da chegada do fenômeno, e sua preparação para a chegada deste.
Neste ambiente simplório, cheio de crenças, misticismos e costumes de outrora, somos apresentados a personagens como o Negro Lobato, que perdeu uma perda para as piranhas, a velha Jaci, mais velha que o passado em si, teve toda família levada pela pororoca, incluindo sua própria sombra, ela é o lado espiritual, o contato com a natureza, as rezas indígenas e africanas, o sacro ligado à natureza, o respeito pela força dos elementos, ela é o contato com a Pororoca e quem decide quem esta irá levar, e em meio a isso pescadores, grávidas, uma muda, crianças e lavadeiras, personagens comuns do interior do nosso país, mas nada simples em sua construção. 
E são nos personagens que Pororoca encontra sua força motriz. A Pororoca em si vira só um apoio para questões maiores. Questões como um casamento destruído por uma morte, a perda da inocência, o comércio sexual, a religiosidade, a crença espiritual, todos esses aspectos tratados individualmente, mas entrelaçados nas relações familiares desses. Em dado momento, chegamos a esquecer da pororoca e começamos a nos preocupar com o destino de cada um deles, e é aí que a peça fica ainda mais interessante. A desconstrução da primeira imagem que temos das personagens, a lavadeira com um passado culposo, as crianças que estão a um passo de enfrentar a dura vida adulta, a velha que pode não ser tão espiritual assim, e tudo isso envolto da magia das fábulas das águas do Brasil trazem para Pororoca um aspecto mais btrasileiro impossível, mas não um Brasil que insiste em tratar da pobreza e de seus problemas sociais. Não, aqui as características brasileirais são ricas, são da cultura, dos costumes, dos antepassados, e trazem mais requinte a vida simplória de seus personagens.
Tecnicamente, o cenário simples e eficaz, com uma plataforma que cria um segundo plano e elementos cênicos básicos que se transformam em várias coisas, como um baú que vira cama e até transporte embutem o aspecto simplório e criativo desse povo. Flâmulas com peixes e sereias, com fitas coloridas nos remetem a imagem do folclore presente, da presença viva da água e da religiosidade mesclada do brasileiro, que faz oferenda para Iemanjá com fitinhas do Senhor do Bonfim nos pulsos. O uso da música ao vivo desde o aguardo para o início da peça nos remete as cantigas de roda, ao cordel e aos cantos indígenas, ambientando a platéia ao que virá. Vocalmente, artistas bem preparados, preenchem o espaço, mesclam com as nuances de tom os momentos sérios dos cômicos e numa leveza de tom nos informam quando se trata do passado e do presente. O elenco aliás está afiadíssimo, cada personagem é completo, mesmo os menores não são pequenos, são complexos sem deixar de ser simples. Nega-se o uso de muitos badalaques e fugas interpretativas e fica-se na essência, no sentimento que nos envolve e preenche os diálogos ribeirinhos.
Pororoca então é mais que uma onda do encontro das águas. É uma onda que encontra vidas, sentimentos, resoluções de vida e que mostra a todos que existe uma vida nas partes mais longínquas do país que merece ser vista e apreciada. Que tem uma beleza, uma estrutura que nós, enclausurados por prédios, fumaça e gravatas nos esquecemos que existe e que é gigante pela própria natureza.

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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Crítica - O DISCURSO DO REI - Oscar 2011


O que é necessário para fazer um grande filme? Se essa pergunta fosse respondida por um norte-americano, pensando nos oscarizados James Cameron e Spielberg, a resposta seria: grandes efeitos e histórias fantásticas, mesclados com cenas que tiram o fólego do espectador. Porém, se respondido por um diretor britânico, a resposta seria: grandes histórias sobre pessoas como nós, interpretadas por grandes atores e atrizes. E quando se assiste O Discurso do Rei, ou mesmo os outros indicados desse ano como Cisne Negro e 127 Horas, você passa a dar mais razão para nossos polidos amigos de Gales.

O premiado filme (grande vencedor do SAG Awards desse ano e com mais indicações ao Oscar) conta a história real de George, ou Albert, ou Bertie para os íntimos (Colin Firth) , filho do rei George V que sofre de um mal muito conhecido: a gagueira. Conviver com isso nunca foi tão incômodo até que o rei, já doente, começa a indicar que Bertie seria melhor rei que seu irresponsável irmão David, o sucessor real ao trono. Bertie se preocupa com o fato de que o rei agora discursa pelo rádio e em frente à população, e que rei poderia passar confiança em seus discursos sendo gago? Para tal, ele e a esposa (Helena Boham-Carter) procuram vários fonoaudiólogos sem sucesso, até encontrar o heterodóxo Lionel (Geoffrey Rush) que pode ser o único a compreender a gagueira e achar uma solução para seu problema. Não vou me aprofundar mais, pois pequenas reviravoltas acontecem que dão mais sabor ao excelente roteiro.
O Discurso do Rei poderia sim ser um filme cansativo se pensarmos que sua história se baseia numa série de consultas fonoaudiologicas para ajudar um príncipe. Mas o competente roteiro que mescla os problemas políticos do país com a confusão que é a vida pessoal da monarquia, os problemas de infância de Bertie e a vida do fonoaudiólogo dão ritmo e mantem tudo interessante. Outra grande vantagem é o delicioso humor tipicamente britânico, incisivo e polido, presente em boa parte do longa, que garante um clima irreverente e divertido o filme todo.
Mas nada disso funcionaria se não fosse o incrível elenco. Colin Firth está impagável e perfeito como Bertie. Ele consegue passar uma gagueira tão perfeitamente que chega a incomodar e dar agonia em seus momentos de tensão. Tensão por sinal transmitida da cabeça aos pés do irriquieto e reprimido personagem, que se incomoda com momentos de descontração e é visivelmente forçado por seu subconsciente a se controlar pra não sair gritando e quebrando tudo. Nesse quesito Firth é preciso, garantindo uma construção física, vocal e psicológica que compõem um personagem que poderia ser simplesmente cômico, mas é cheio de vida. Geoffrey Rush mais uma vez prova sua competência e nos entrega um Lionel que é a irreverência, a coragem e, em prosa, tudo aquilo que Bertie precisa ser, com um humor e uma intimidade que é incomum na vida de um monarca e que garante diálogos deliciosos, além de um constante olhar de carinho e afeição que conquistam o público. Helena Boham-Carter garante uma leveza, uma sinceridade e um carinho à seu marido no papel de Elisabeth que demonstra ser o porto-seguro do titubeante George. Esses três grandes atores tecem a história com uma tal leveza, mas ao mesmo tempo com uma segurança e vontade que nos faz mergulhar de cabeça no filme. As participações de Guy Pearce como David, Michael Gambon como George V e Timothy Spall como Churchill completam a competência do time.
Em suma, O Discurso do Rei vem mais uma vez enfatizar o que sempre digo aqui, grandes filmes precisam somente de grandes histórias e grandes personagens. Nesses dois pontos, o filme é sublime e meu favorito ao Oscar do ano.

Nota: 10

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Crítica - BURLESQUE


Música é entretenimento. Cinema também é entretenimento. Juntamos os dois num só trabalho e o que esperamos? Nos divertir e entreter, pelo menos; e isso é alcançado pelo "Musical" Burlesque, estréia de Christina Aguilera com a veterana Cher nos cinemas.

Primeiro explico o porque de ter posto o termo Musical entre aspas. Musicais são, por sua essência, filmes cuja história é contada parte por falas, parte por canções ou algumas vezes somente por canções (como O Fantasma da Ópera e Evita). Basicamente, num filme musical a personagem começa falando algo e emenda na fala o começo da canção, cuja letra completa seu sentimento a respeito do que se passa, é como se o padeiro, ao citar os pães do dia, cantasse ao invés de falar. Esse estilo, o clássico musical, tem seus fãs ao redor do mundo, porém uma parcela bem maior de pessoas que não suporta esse povo cantando e falando. Neste quesito, BURLESQUE não seria um musical, e sim um filme com músicas, uma vez que as canções não são dialogadas, são números apresentados no palco da casa de Burlesco, onde se passa a história. Porém em alguns momentos a letra que é cantada no palco reflete o sentimento de quem a canta, o que cria uma ligação com os números musicais e o enredo.
Enredo por sinal bem simples: Aguilera é Alice, garçonete do interior que cansa da vidinha mais ou menos pega uns trocados e vai à Hollywood tentar a sorte como cantora ou corista. Numa noite acaba entrando por curiosidade na casa Burlesque, onde acha que encontrará strippers e promiscuidade, mas descobre um palco onde poderá mostrar seu talento. Mas para ter sua chance, terá que provar à dona do local Tes (Cher, interpretando Cher) que é mais do que uma garçonete. Entremeado a isso, Tess enfrenta problemas para manter o local, pendurado na hipoteca e recebendo propostas de venda.
Burlesque é aquele filme de final previsível, atuações na média, o típico filme de "garota que corre atrás dos seus sonhos", com referências nítidas de musicais como Chicago, Cabaré e filmes como Show Bar. Claro que o leitor pode pensar: Ah, então não vale a pena, se é um punhado de coisas que já vimos. Mas se engana, Burlesque tem 1 grande vantagem: é divertidíssimo! Os números musicais são bem produzidos, tem um ritmo excelente, danças agitadas, belas moças e músicas numa batida que mescla o jazz com a batida pop que nos faz bater os pézinhos com vontade de dançar. O elenco está visivelmente confortável em seus papéis, Cher sendo a diva do local cuja presença na canção de abertura gera arrepios, Aguilera sendo a branquela do vozeirão e tendo simpatia suficiente para manter a personagem. Destaques também para Cam Gigandet como o barman que segura o clima romântico, Kirsten Bell como a dançarina invejosa e o sempre excelente Stanley Tucci fazendo um papel tal qual seu estilista de O Diabo Veste Prada. Esse grupo faz a história fluir sem cansar e permite que as canções sejam ansiosamente aguardadas.
O visual boêmio e ao mesmo tempo chamativo do filme é bem mostrado e o roteiro tem um desenvolvimento simples, mas eficiente, o que garante uma história sem buracos. No final das contas Burlesque não é um musical que mereça Oscars, mas que merece sua visita e garanto que uns bons dias com as contagiantes canções embalando seus pensamentos.

Nota: 8,0

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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Crítica - 127 HORAS - OSCAR 2011


Você sabe quem é Aron Ralston? Provavelmente não, e nem se lembrará da matéria que passou no Fantástico sobre ele em 2003. O fato é que depois deste filme, você não se esquecerá mais deste aventureiro que registrou em vídeos e em um livro o que foram os 5 dias mais difíceis de sua vida.
127 horas é a história real deste alpinista que tinha como hobbie visitar e explorar canyons e montanhas mundo afora. Em uma tarde de 2003 ele estava em mais uma de suas trilhas pelos Canyons americanos quando, ao passar por uma estreita fenda, foi pego por um deslizamento de rochas, onde uma prendeu seu braço contra a parede do canyon, esmagando seu ante-braço e o deixando impossibilitado de sair. E ali Aron ficou por 5 dias e pouco, mais exatamente as 127 horas do título. O filme mostra o antes, o emocionante durante e o bonito depois desse grande desafio.

O grande barato de 127 horas é que Danny Boyle (diretor do excelente Quem Quer Ser um Milionário) não tentou transformar Ralston num herói e nem fazer da história uma odisséia cinematográfica, e é isso o que faz deste um grande filme e um dos indicados os Oscar na categoria. 127 horas é mais humano impossível, é comovente, é divertido, é emocionante, é agonizante, é sincero. A cada momento, a cada lembrança do passado de Aron, a cada alucinação e tentativa de escapada o público vai se conectando aquele cara que poderia ser o bacana que estudava com você e gostava de esportes.
Claro que tudo isso tem valia graças à excelente interpretação de James Franco (Homem-Aranha). Franco interpreta sem vaidades, com uma leveza, uma graça e uma verdade que nos faz gostar do cara, mesmo achando ele por vezes a pessoa mais idiota e ferrada do mundo, como ele mesmo por vezes comenta. O fato de Aron não ser um gênio, de cometer erros que qualquer um de nós cometeria é que cria essa identidade. E Franco tem o carisma necessário para criar a empatia e a torcida pelo bem do rapaz.
No geral, 127 Horas tem um roteiro bem construído, mesclando bem a história de Aron e seu momento de agonia sem ser exagerado, belíssimas cenas e ambientações, é simples e gigante pela própria natureza. Mais uma vez, Boyle mostra que grandes filmes não precisam de grandes produções, e sim de grandes histórias e grandes personagens. É rápido e não é nada tão supreendente e diferente, o que talvez lhe tire a estatueta, mas nada que o faça um filme ruim. Pelo contrário, 127 Horas pode não ser o melhor filme do mundo, mas é a história de um dos caras mais gente-fina que o cinema já mostrou.

Nota: 8,5

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Crítica - DEIXE-ME ENTRAR



Quando um filme recebe sua versão norte-americana com menos de 3 anos é porque deve ser algo muito bom, ou algo muito inovador, certo? Bom, nem sempre.
Deixe-me Entrar é um terror sueco de 2008 que causou furor pelo roteiro inteligente, que mescla vampiros com a descoberta do amor sem ser ruim, ou digamos, sem ser Crepúsculo. O original sueco é bem produzido, roteiro bem amarrado e muito competente, mas nada surpreendente. Claro que a febre vampiresca foi um dos principais atrativos para a regravação do filme buscando nitidamente mais lucro pelos Yankees. Independente disso, a refilmagem é sim, bem fiel ao original, por vezes fiel demais (lê-se Ctrl+C Ctrl+V) mas nem por isso deixa de ser uma boa opção pra quem gosta de um suspense bem escrito e sem a pieguisse da saga Twilight.

No longa, menino de 12 anos que sofre bullying em colégio no interior do Novo México e tem dificuldade em fazer amigos começa a se interessar por menina que chega com o pai em seu condomínio com costumes estranhos como andar na neve descalça. Aos poucos os encontros noturnos do rapaz com a mocinha de 12 anos também vai sendo entremeado por uma onda de crimes na cidade envolvendo drenagem de sangue das vítimas.
Não contarei mais pra não estragar àqueles que não viram o original. Vale lembrar que Deixe-me Entrar é uma metáfora as relações na pré-adolescência, à descoberta do amor e até a Shakespeare e seu Romeu e Julieta. Mas o decente roteiro não faz disso algo forçado, meloso ou ridículo, sustenta a verdade, o casal de atores mirins seguram bem as pontas e as cenas de terror são boas sem serem exageradas.
O clima sombrio do inverno acrescentado dos perigos que envolvem a relação do casal protagonista ajudam a contar a história que não tem nada de muito surpreendente ou complexo, não espere nenhuma reviravolta esfusiante, mas confie numa história sem muitos buracos ou apelos para sustos fáceis. Deixe-me entrar é simples e eficaz.
Vale lembrar também que a atriz principal é Chloe Moretz, que roubou absurdamente a cena em Kick-Ass como a Hit-Girl e mostra muoto talento, sustentando duas vértices de sua personagem: a inocência da idade e descoberta do amor junto com os mistérios que envolvem ela e seu pai, o indicado ao Oscar Richard Jenkins. Sua personagem consegue ser por vezes delicada e fofa, por vezes assustadora e sombria. E isso faz toda a diferença na levada da história, que não enrola muito, é suficiente e direta sem ser apressada.
Deixe-me Entrar então vale sim como uma boa opção de suspense, com boas cenas de terror, bom roteiro, bons personagens e um romance que não incomoda. Uma refilmagem apressada, mas em tempos de Bella e Edward está na hora do mundo ter mais acesso a menos açúcar.

Nota: 7,5

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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Crítica - CISNE NEGRO - OSCAR 2011


A corrida para o Oscar começa com a chegada do drama de Darren Aronofsky, conhecido por seus complexos Requiém para um Sonho, A Fonte da Vida e mais recentemente O Lutador, que deu o Oscar para Mickey Rourke. Coincidência seria esta de que geralmente os protagonistas de seus filmes sejam agraciados com indicações e prêmios grandiosos? Não. Cisne Negro é a prova maior de que Aronofsky sabe é trabalhar com a intensidade cênica, que neste filme recebe o nome e o sobrenome de Nathalie Portman.

Para quem não está a par do enredo, o filme é sobre bailarina que pode obter o papel de sua vida em grande companhia de dança interpretando o papel duplo das gêmes Cisne Branco e Cisne Negro no clássico O Lago dos Cisnes. Mas para sustentar essa chance deverá encontrar seu lado negro, enquanto sofre ofensas de bailarina que foi demitida (Winona Ryder) e de novata cheia de irreverência (Mila Kunis) que são, respectivamente, seus maiores temores e anseios.
O filme tem uma base simples, durante sua projeção acompanhamos a preparação de Nina (Portman) para seu papel duplo, sua jornada de auto-descobrimento, seus demônios e sua relação conturbada com a mãe. Pode parecer simples, mas a trama é complexa, cheia de reviravoltas e momentos de tensão, mescladas com a descoberta tardia da sexualidade e do turbilhão de emoções vividas por Portman.
Portman que faz por merecer cada estatueta que vem recebendo. Já ganhou o Globo de Ouro, o Sag, entre outros 21 prêmios, todos aos que foi indicada. E ao assistir o filme, se torna inegável sua potência. Nina é frágil, complexa, confusa, dura, frígida, contida, ciumenta, exigente, rígida, e tudo isso contido na cara de porcelana da bailarina. O universo do Ballet por sinal é bem representado e os cortes de câmera fantásticos.
Os papéis coadjuvantes são o equilíbrio certo para o dínamo de Portman, como se cada um representasse um anjinho ou demônio no ombro de Nina, Vincent Cassel é o desafiador diretor, que a faz sofrer com a cobrança, Barbara Hershey é a mãe controladora e que a mima, Mila Kunis é a moça descolada e abusada que ela precisa ser, Wynona é o que ela pode se tornar. Cada um com sua importância e seu peso.
O filme consegue prender a atenção do começo ao fim e mostra que nem tods história precisa de grandes efeitos ou de histórias longas para ser grandioso. Efeitos poucos, mas muito bem aproveitados dão um certo toque de horror ao filme e a trilha incisiva, entremeada pelas famosas canções do Lago dos Cisnes dão o clima perfeito.
Entre atuações fantásticas, clima ideal e roteiro bem amarrado, Cisne Negro se torna um filme imperdível para todo apreciador da Sétima Arte, da psique humana e mostra o quanto um sonho pode alterar o rumo de sua vida. Memorável.

Nota: 9,5

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