quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Crítica - CISNE NEGRO - OSCAR 2011


A corrida para o Oscar começa com a chegada do drama de Darren Aronofsky, conhecido por seus complexos Requiém para um Sonho, A Fonte da Vida e mais recentemente O Lutador, que deu o Oscar para Mickey Rourke. Coincidência seria esta de que geralmente os protagonistas de seus filmes sejam agraciados com indicações e prêmios grandiosos? Não. Cisne Negro é a prova maior de que Aronofsky sabe é trabalhar com a intensidade cênica, que neste filme recebe o nome e o sobrenome de Nathalie Portman.

Para quem não está a par do enredo, o filme é sobre bailarina que pode obter o papel de sua vida em grande companhia de dança interpretando o papel duplo das gêmes Cisne Branco e Cisne Negro no clássico O Lago dos Cisnes. Mas para sustentar essa chance deverá encontrar seu lado negro, enquanto sofre ofensas de bailarina que foi demitida (Winona Ryder) e de novata cheia de irreverência (Mila Kunis) que são, respectivamente, seus maiores temores e anseios.
O filme tem uma base simples, durante sua projeção acompanhamos a preparação de Nina (Portman) para seu papel duplo, sua jornada de auto-descobrimento, seus demônios e sua relação conturbada com a mãe. Pode parecer simples, mas a trama é complexa, cheia de reviravoltas e momentos de tensão, mescladas com a descoberta tardia da sexualidade e do turbilhão de emoções vividas por Portman.
Portman que faz por merecer cada estatueta que vem recebendo. Já ganhou o Globo de Ouro, o Sag, entre outros 21 prêmios, todos aos que foi indicada. E ao assistir o filme, se torna inegável sua potência. Nina é frágil, complexa, confusa, dura, frígida, contida, ciumenta, exigente, rígida, e tudo isso contido na cara de porcelana da bailarina. O universo do Ballet por sinal é bem representado e os cortes de câmera fantásticos.
Os papéis coadjuvantes são o equilíbrio certo para o dínamo de Portman, como se cada um representasse um anjinho ou demônio no ombro de Nina, Vincent Cassel é o desafiador diretor, que a faz sofrer com a cobrança, Barbara Hershey é a mãe controladora e que a mima, Mila Kunis é a moça descolada e abusada que ela precisa ser, Wynona é o que ela pode se tornar. Cada um com sua importância e seu peso.
O filme consegue prender a atenção do começo ao fim e mostra que nem tods história precisa de grandes efeitos ou de histórias longas para ser grandioso. Efeitos poucos, mas muito bem aproveitados dão um certo toque de horror ao filme e a trilha incisiva, entremeada pelas famosas canções do Lago dos Cisnes dão o clima perfeito.
Entre atuações fantásticas, clima ideal e roteiro bem amarrado, Cisne Negro se torna um filme imperdível para todo apreciador da Sétima Arte, da psique humana e mostra o quanto um sonho pode alterar o rumo de sua vida. Memorável.

Nota: 9,5

2 comentários:

Chris Benassi disse...

Quero muito ver o filme, sinto que será o filme do ano!
Obrigada pela resenha amor.

Rafaele disse...

Ninguém mais poderia descrever tão perfeitamente o filme! Você é o máximo pai, e já virei fã do blog (assim como o pessoal lá de Portugal, né?)!
Beijão
Te amoo!