quinta-feira, 8 de abril de 2010

Crítica - A Estrada



O fim do mundo é um tema muito retratado em Hollywood. Sempre visando desastres naturais ou espaciais (meteoros, terremotos, aquecimento global) que extinguiram tudo e todos. Mas será que se, de fato, o mundo como o conhecemos se extinguir por meio de fenômenos naturais, todos morreremos de uma vez ou alguns sobraram para enfrentar o pós-Apocalipse?
É com a idéia dos que sobram que temos o enredo de A ESTRADA, drama pós-Apocaliptico de John Hillcoat (diretor de A Proposta - o western, não a comédia de Sandra Bullock, quase um iniciante no ramo) estrelado por Viggo Mortensen (o Aragorn de O Senhor dos Anéis).
Na história ele sai de casa com o filho, após não ter mais recursos para ficar no mesmo lugar, sem comida, sem proteção, uma vez que muitos dos sobreviventes se tornaram canibais, ele segue o conselho da esposa (Charlize Theron em rápida, porém comovente participação) de irem para o Sul, uma vez que o frio assola a região em que vivem.
Daí por diante, acompanhamos o sofrimento da dupla, em passar fome, frio, medo, os ataques de gangues, a desconfiança, a prova de que no final somos animais e partimos para a selvageria, e a análise do que ser uma boa ou uma má pessoa e a tênua linha que separa esses dois graus de personalidade.
O filme tem, além de um ponto de vista muito bom, uma direção segura, acompanhada por uma bela interpretação de Mortensen e do menino Kodi Smith-McPhee. Ambos estão seguros e bem entrosados, e são eles que seguram a trama pelas 2 horas de projeção.
A fotografia suja, cinzenta, dá o clima de destruição e fim da vida, mas o ritmo melancólico que o filme recebe desde o começo pode cansar um pouco, tendo momentos que interrompem essa melancolia com o suspense de suas fugas e esconderijos. Como pontos positivos, além dos já citados, destaca-se a participação de Robert Duvall, num momento de beleza em meio a toda tristeza e dificuldades trazidas e a relação humana, simples e cheia de emoção entre pai e filho, que poderia ter sido estragada por uma criança que não segurasse a personagem, o que não acontece.
A Estrada é um filme para ver e refletir muito sobre quem somos e se nossa essência se altera quando o ambiente em que vivemos nos força a mudar. Um filme sobre sobreviver em meio ao caos, e sobre o amor, mesmo em tempos aonde não se enxerga um amanhã.

Nota: 8,0

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